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Fotografias por ©Nuno Ferreira



Prédio mais estreito da Europa continua com os dias contados..

 Com apenas 1,6 m de largura, o prédio mais estreito da Europa (como tem vindo a ser referido por quem o conhece), na Rua Aquiles Monteverde, nº 16 (freguesia de São Jorge de Arroios), é tão "elegante" na sua fachada que pode ser "abraçado" por alguém de braços esticados. 

As obras que foram efectuadas aquando da construção de um novo prédio (mais um "caixote branco"), que não teve em conta o correcto escoramento do terreno contiguo, levou à queda parcial do nº 14, e danos no nº 16, que levaram ao desalojamento dos seus habitantes (onde ainda haviam duas inquilinas, Maria Olímpia e Maria Rodrigues, 50 anos vizinhas nas janelas voltadas para o Jardim Constantino).

"A Protecção Civil desalojou as inquilinas, porque o prédio não estava em condições de ter pessoas a viver lá. A uma das inquilinas arranjaram-lhe uma casa nos Olivais, e a outra foi viver para casa da filha", disse Manuel Serrão, proprietário do imóvel. Alega ainda que não pode proceder à demolição, "Não tenho meios [financeiros]", "nem me arrisco a efectuar uma obra que podia arrastar os prédios colados ao meu.". Entregou o caso ao seu advogado, enquanto aguarda que o tribunal decida sobre a indemnização do construtor.

O edifício foi construido ainda no século XIX por Manuel Paulo Ruas, que comprou um dos lotes da quinta do general Luís António de Oliveira Miranda. O prédio é quase triangular ("forma de Bacalhau" como dizia uma avó ao seu neto quando eu estava a tirar as fotos). Quem espreita pela porta verifica que o corredor se alarga e, ao fundo, há duas entradas. Pelas janelas também se consegue ver essa forma característica deste prédio.

Segundo a Câmara de Lisboa, o prédio não está classificado pelo IGESPAR (antigo Instituto Português do Património Arquitectónico- IPPAR), não tem interesse municipal, nem está numa zona de protecção. Isso acontece depois da classificação ter estado em vias de ir para a frente segundo Samuel Serrão, filho de Manuel Serrão. "Eu e a minha irmã pensámos em dar um destino diferente ao prédio e queríamos instalar lá uma galeria de arte. Íamos concorrer ao Regime Especial de Comparticipação na Recuperação de Imóveis Arrendados (RECRIA), quando o IPPAR disse que queria classificar o imóvel. Aguardámos e entretanto aconteceu aquele acidente. O IPPAR não classificou nada...".

Até ver o prédio está à venda assim como o número 14. A Câmara de Lisboa, através do gabinete do vereador do Urbanismo lançou uma intimação para obras de demolição até Fevereiro de 2006, caso contrário tomaria posse administrativa do imóvel, além de que, "foi comunicado à Polícia Municipal que se instaurasse um processo de contra-ordenação".

Como podem ver pelas fotos, ainda em 2011 se mantém esta situação triste do "Prédio mais estreito da Europa". A vizinhança lamenta o estado a que aquele prédio chegou e temem que só se vá fazer algo quando acontecer ali uma desgraça.
É o país que temos...
Nuno Ferreira
Fontes das citações "DN" e "JN".

Publicado por Nuno_Ferreira às 00:00
Sinto-me: Triste com isto..

Muito bom! Fico à espera das próximas reportagens! :D
Abraço
Manuel a 15 de Maio de 2011 às 23:59

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